Cesto de basquetebol e rede vistos de baixo contra um fundo claro
Uma vitória fora que vale mais do que dois pontos na classificação

Há resultados que valem mais do que a classificação que produzem. A 5 de julho, em Atenas, Portugal venceu a Grécia por 71-56 na última jornada do Grupo B da primeira ronda de apuramento para o Campeonato do Mundo de 2027. Foi a primeira vitória portuguesa sobre a seleção grega em encontros a contar para provas internacionais e, ao mesmo tempo, o passaporte para a segunda ronda — uma fase a que Portugal nunca tinha chegado.

O encontro teve um desenho pouco comum para quem visita um pavilhão grego. Portugal foi para o intervalo a vencer por 28-23, num ritmo baixo, e conseguiu manter a margem depois do descanso, controlando o ressalto defensivo e obrigando a Grécia a lançamentos apressados no final do relógio de posse. Diogo Brito foi o melhor marcador e o jogador mais valioso do encontro, com 17 pontos e 9 ressaltos. Rafael Lisboa somou 16 pontos e 5 assistências, e Travante Williams juntou 15 pontos e 8 ressaltos.

Três dias antes, uma derrota curta

O caminho tinha sido preparado a 2 de julho, no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, com uma derrota por 68-72 diante do Montenegro. Travante Williams foi o melhor da equipa portuguesa nesse encontro, com 21 pontos. Uma derrota por quatro pontos em casa raramente é boa notícia, mas manteve intacta a diferença que viria a ser decisiva no desempate final.

Portugal terminou a primeira ronda em igualdade pontual com a Grécia e assegurou o apuramento. O selecionador Mário Gomes trabalhou toda a janela sem Neemias Queta, que não foi convocado para os encontros de junho e julho por decisão da equipa técnica. A ausência do jogador com percurso mais exigente do plantel obrigou a redistribuir responsabilidades no poste — e o resultado em Atenas mostrou que a equipa encontrou soluções.

O que vem a seguir

A segunda ronda coloca Portugal no Grupo I, com a Grécia, o vencedor da eliminatória entre Montenegro e Roménia, e ainda Espanha, Ucrânia e Geórgia. São seis encontros distribuídos por três janelas: 28 e 31 de agosto de 2026, 26 e 29 de novembro de 2026, e 26 de fevereiro e 1 de março de 2027. Apuram-se para a fase final as três melhores seleções de cada grupo.

O Campeonato do Mundo de 2027 disputa-se no Catar, entre 27 de agosto e 12 de setembro, com 32 seleções — a segunda edição com esse número de participantes. Para Portugal, chegar lá seria um salto de escala: nunca esteve numa fase final de Mundial de basquetebol.

Porque é que este apuramento não é um acaso

Um resultado isolado explica-se por uma boa noite. Uma passagem de fase explica-se por trabalho acumulado. A seleção portuguesa vinha de uma sequência de anos em que passou a competir com regularidade contra adversários de escalão superior, com um núcleo de jogadores estabilizado e com uma ideia de jogo assente em defesa organizada, transições rápidas e distribuição de lançamentos por vários jogadores em vez de dependência de um único marcador.

É esse o dado mais relevante do encontro de Atenas: os três melhores marcadores portugueses ficaram entre os 15 e os 17 pontos. Contra seleções com maior talento individual, uma equipa que reparte a produção ofensiva por vários jogadores é bem mais difícil de anular do que uma que depende de um só.

A janela de agosto chega depressa e traz consigo a primeira medida da nova realidade. O que estava fora do alcance passou a estar em discussão — e é a partir daí que se avalia o resto do percurso.

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