Espanha conquista o Mundial 2026 em Nova Jérsia e junta os dois títulos mundiais
A final do Mundial 2026 precisou de prolongamento para ter dono. Ferran Torres decidiu aos 106 minutos, a Espanha venceu a Argentina por 1-0 e tornou-se a primeira seleção a deter em simultâneo os títulos mundiais masculino e feminino.
A trigésima terceira final de um Campeonato do Mundo disputou-se a 19 de julho, no MetLife Stadium, em East Rutherford, no estado de Nova Jérsia, perante 80 663 espectadores. A Espanha venceu a Argentina por 1-0, num encontro que chegou ao fim do tempo regulamentar sem golos e que só se resolveu na primeira parte do prolongamento. É o segundo título mundial da seleção espanhola, dezasseis anos depois do primeiro, conquistado em 2010.
O lance decisivo apareceu aos 106 minutos. Nico Williams desviou de cabeça para o interior da área e Ferran Torres apareceu na zona certa para concluir. O avançado acabaria distinguido como Homem do Jogo. A equipa de arbitragem foi liderada pelo esloveno Slavko Vinčić, que já tinha dirigido encontros das rondas anteriores do torneio.
Uma final de padrões muito diferentes
O jogo teve uma característica invulgar para uma final desta dimensão: a Argentina não conseguiu concretizar um único remate durante os noventa minutos regulamentares. Do outro lado, Emiliano Martínez fez onze defesas, o que descreve bem o desequilíbrio territorial do encontro. A seleção sul-americana defendeu com uma linha muito recuada, procurou o contra-ataque em transições longas e obrigou a Espanha a atacar posições fechadas durante quase todo o encontro.
A Espanha respondeu com a paciência que lhe é reconhecida: circulação em largura, entradas do médio interior entre linhas e cruzamentos rasteiros para o segundo poste, em vez de bolas altas para uma área congestionada. O golo nasceu precisamente dessa fórmula, com um desvio curto a valer mais do que qualquer investida direta. Nas quatro últimas eliminatórias, a seleção espanhola tinha marcado sempre pelo menos um golo depois do intervalo — sinal de uma equipa construída para durar noventa minutos.
Um campeão com uma defesa quase intacta
O dado mais impressionante do percurso espanhol não está no ataque, mas atrás. A Espanha sofreu um único golo em todo o torneio, registo sem precedentes para uma seleção campeã do mundo. No Grupo H empatou 0-0 com Cabo Verde, venceu a Arábia Saudita por 4-0 e o Uruguai por 1-0. Na fase a eliminar afastou a Áustria por 3-0, Portugal por 1-0, a Bélgica por 2-1 e a França por 2-0 na meia-final.
A Argentina chegou à final por um caminho muito mais acidentado. No Grupo J venceu a Argélia por 3-0, a Áustria por 2-0 e a Jordânia por 3-1. Depois disso, precisou de prolongamento para eliminar Cabo Verde (3-2), venceu o Egito por 3-2, voltou a esticar o jogo até ao prolongamento diante da Suíça (3-1) e afastou a Inglaterra na meia-final por 2-1. Cinco eliminatórias, cinco resultados curtos: uma equipa que sobreviveu a todos os cenários possíveis antes de encontrar aquele que não conseguiu resolver.
O primeiro Mundial com 48 seleções
A edição de 2026 decorreu entre 11 de junho e 19 de julho no Canadá, no México e nos Estados Unidos, e foi a primeira com 48 seleções. Foram 104 encontros, doze grupos de quatro equipas e uma ronda inicial a eliminar com 32 participantes, apurados os dois primeiros de cada grupo mais os oito melhores terceiros classificados. O alargamento levantou dúvidas legítimas sobre a competitividade da fase de grupos, mas os números finais desmentiram o receio de um torneio diluído: 308 golos, uma média de 2,96 por jogo, o valor mais alto desde 1970, e um total de 6 810 966 espectadores nos estádios, marca máxima na história da prova.
A Inglaterra terminou em terceiro lugar e a França em quarto. Nas distinções individuais, a Bola de Ouro foi atribuída a Rodri, a Bota de Ouro a Kylian Mbappé, com dez golos, e a Luva de Ouro a Unai Simón. Pau Cubarsí foi eleito o melhor jogador jovem e os Países Baixos receberam o galardão de fair play.
O que este título significa
Ao levantar o troféu em Nova Jérsia, a Espanha tornou-se a primeira nação a deter ao mesmo tempo os títulos mundiais masculino e feminino — o feminino tinha sido conquistado em 2023. É um dado que diz menos sobre uma geração e mais sobre uma estrutura de formação que produziu, em ciclos praticamente paralelos, duas seleções capazes de vencer competições longas com o mesmo tipo de jogo.
Para o resto do continente, o calendário não dá tréguas. O próximo compromisso das seleções europeias é a Liga das Nações da UEFA, cuja fase de liga decorre entre 24 de setembro e 17 de novembro de 2026. Portugal, eliminado nos oitavos de final precisamente pela seleção que viria a ser campeã, integra o Grupo A4 com a Dinamarca, a Noruega e o País de Gales.