Campo de futebol iluminado por projetores durante a noite, sem jogadores em campo
Um golo no primeiro minuto de compensação encerrou a participação portuguesa

Portugal despediu-se do Campeonato do Mundo de 2026 nos oitavos de final, na segunda-feira, 6 de julho, no AT&T Stadium, em Arlington, na área metropolitana de Dallas. A Espanha venceu por 1-0 com um golo de Mikel Merino no primeiro minuto de compensação da segunda parte, depois de noventa minutos que terminaram sem golos e sem uma equipa claramente por cima da outra. A arbitragem esteve a cargo do inglês Anthony Taylor, de 47 anos, assistido por Gary Beswick e Adam Nunn.

A eliminação teve o desenho mais cruel possível: um encontro equilibrado, resolvido no último lance de uma jogada de bola parada, contra a seleção que viria a sagrar-se campeã do mundo doze dias depois, sofrendo um único golo em toda a competição. Não houve colapso nem goleada; houve uma decisão adiada até ao limite e depois tomada contra a equipa de Roberto Martínez.

O caminho até Arlington

Portugal ficou em segundo lugar do Grupo K, atrás da Colômbia. Empatou 1-1 com a República Democrática do Congo na estreia, venceu o Usbequistão por 5-0 no encontro em que resolveu a diferença de golos e fechou a fase de grupos com um 0-0 diante dos colombianos. Uma qualificação sem brilho, mas sem sobressaltos, num grupo que se revelou mais fechado do que o previsto.

A ronda dos dezasseis avos de final, novidade do formato alargado, colocou a seleção portuguesa frente à Croácia, a 3 de julho, em Toronto. Foi o melhor encontro português da competição. Ivan Perišić abriu o marcador aos 53 minutos, Cristiano Ronaldo empatou aos 68, de grande penalidade, e Gonçalo Ramos decidiu aos 90+4, de cabeça, depois de um cruzamento de Rafael Leão. Ainda houve tempo para uma resposta croata anulada já no limite do encontro. Portugal venceu por 2-1 e garantiu o encontro seguinte com a Espanha.

As palavras de Cristiano Ronaldo

No final do encontro de Arlington, Cristiano Ronaldo, de 41 anos, disse aquilo que meio mundo do futebol esperava ouvir e que ele próprio nunca tinha confirmado: «A verdade é que foi o meu último Mundial, sim.» A frase encerra um ciclo aberto em 2006, na Alemanha, e prolongado por cinco participações consecutivas em fases finais de Campeonato do Mundo.

Sobre o futuro imediato — continuar ou não ao serviço da seleção nos compromissos da próxima época — o avançado recusou comprometer-se ali mesmo. Disse que ia falar com a família e que não tomaria uma decisão «de cabeça quente». Dias antes, a 2 de julho, a irmã Kátia Aveiro tinha afirmado em entrevista a um jornal desportivo espanhol que aquela seria a última presença do irmão num Mundial. A confirmação chegou pela própria voz do jogador, no relvado, poucos minutos depois da eliminação.

Um ciclo que continua já em setembro

A seleção nacional não tem muito tempo para arrumar a participação no Mundial. O próximo compromisso é a Liga das Nações da UEFA de 2026/27, cuja fase de liga decorre entre 24 de setembro e 17 de novembro de 2026. O sorteio realizou-se a 12 de fevereiro, em Bruxelas, e colocou Portugal no Grupo A4, com a Dinamarca, a Noruega e o País de Gales — três adversários que obrigam a uma preparação séria e que dificilmente permitem experiências prolongadas.

Para Roberto Martínez, o desafio é conhecido de outras seleções em transição: manter a competitividade enquanto se renova o núcleo de decisão. O Mundial mostrou uma equipa fiável a defender e pouco criativa no último terço quando o adversário fecha o corredor central — precisamente o cenário do encontro com a Espanha. Foi também o retrato de um torneio em que os detalhes de bola parada decidiram várias eliminatórias, incluindo esta.

Fica, ainda assim, um ponto de contexto que vale a pena guardar: a seleção que eliminou Portugal terminou o torneio como campeã mundial, com apenas um golo sofrido em sete encontros. A margem entre uma equipa e outra, naquela noite no Texas, foi um minuto de compensação.

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