Portugal vence o Grupo B3 e defronta a Irlanda do Norte no play-off de acesso ao Mundial de 2027
A seleção nacional feminina fechou a fase de grupos do apuramento europeu no primeiro lugar do Grupo B3, com 15 pontos, e evitou a via intercontinental. Em outubro joga a primeira ronda do play-off diante da Irlanda do Norte.
A fase de grupos do apuramento europeu para o Campeonato do Mundo feminino de 2027 terminou a 9 de junho e deixou a seleção portuguesa no primeiro lugar do Grupo B3, com 15 pontos. A Finlândia terminou também com 15, a Eslováquia com 6 e a Letónia sem qualquer ponto. O critério de desempate favoreceu Portugal, que assim garantiu o acesso direto à primeira ronda do play-off europeu.
Os seis encontros do grupo distribuíram-se por três janelas: 3 e 7 de março, 14 e 18 de abril, 5 e 9 de junho. Entre os resultados confirmados contam-se uma vitória por 3-0 na Letónia e outra por 2-1 na Eslováquia, ambas fora de casa — precisamente o tipo de deslocação que costuma decidir grupos equilibrados como este.
Porque é que o primeiro lugar valia tanto
O formato de apuramento europeu para o Mundial de 2027 integra-se na Liga das Nações feminina da UEFA e distribui as seleções por ligas e grupos. Terminar em primeiro no grupo evita a chamada via intercontinental, um caminho mais longo, com adversários de outras confederações e menos margem de erro. Ao vencer o Grupo B3, Portugal poupou uma eliminatória e ganhou controlo sobre o calendário de outono.
A primeira ronda do play-off opõe a seleção nacional à Irlanda do Norte, com o encontro de fora marcado para 7 de outubro e o de casa para 13 de outubro. Quem passar disputa a segunda ronda em novembro e dezembro — a 26 de novembro em casa e a 5 de dezembro fora — frente ao vencedor da eliminatória entre a Croácia e a Islândia.
Doze anos no mesmo comando técnico
Francisco Neto é selecionador da equipa feminina desde 25 de fevereiro de 2014. Em fevereiro deste ano completou doze anos no cargo, o período mais longo entre todos os selecionadores femininos no ativo na UEFA. É uma estabilidade rara em qualquer contexto e ainda mais invulgar num setor que cresceu depressa e obrigou a reestruturações frequentes em várias federações europeias.
Essa continuidade explica em parte a identidade da equipa: um bloco que defende de forma organizada em zonas médias, sai a jogar com paciência e recorre com frequência à circulação lateral para atrair a pressão adversária antes de procurar o corredor central. É um estilo que exige tempo de trabalho e que se perderia com mudanças frequentes de comando técnico.
O grupo de trabalho
A capitã é Dolores Silva. Entre as jogadoras das últimas convocatórias figuram Kika Nazareth, no Barcelona, Andreia Jacinto, na Real Sociedad, e Tatiana Pinto, na Juventus — três percursos que ilustram bem a exportação recente de futebolistas portuguesas para campeonatos com maior exposição competitiva. Nas convocatórias mais recentes houve ainda espaço para a estreia de «Pauleta», do Benfica.
O objetivo é claro e está longe de ser garantido: alcançar a segunda qualificação de sempre para um Campeonato do Mundo feminino, depois da estreia em 2023. Nessa altura, Portugal chegou à fase final por via do play-off intercontinental, e a experiência mostrou uma diferença assinalável entre competir na Europa e competir contra seleções de topo mundial em jogos consecutivos.
O que está em jogo em outubro
Uma eliminatória a duas mãos coloca sempre a questão da gestão da primeira. Portugal joga fora no dia 7 e em casa no dia 13, ordem que costuma favorecer quem tem plantel mais profundo, por permitir gerir o resultado no encontro decisivo com apoio próprio. Também obriga a evitar golos sofridos em casa alheia — não pelo critério do golo fora, que já não vigora, mas pela simples aritmética de uma eliminatória curta.
Entre agora e outubro, a preparação passa por trabalho de seleção em janelas curtas, com jogadoras dispersas por vários campeonatos e calendários de clube diferentes. É o desafio permanente de qualquer selecionador nesta fase da época: montar uma equipa competitiva com poucos dias de treino conjunto, sem prejudicar quem chega de uma pré-temporada exigente.