Silhueta desfocada de uma jogadora vista através da rede de uma baliza ao fim da tarde
Três clubes portugueses na principal prova europeia feminina, cada um numa fase diferente

A quarta-feira, 5 de agosto, foi o dia mais cheio do verão para o futebol feminino português. Em Sankt Pölten, na Áustria, com 37 graus registados à hora do encontro, o Sporting CP venceu o SeaSters Odesa, da Ucrânia, por 5-0, na primeira jornada de um mini-torneio da segunda pré-eliminatória da Liga dos Campeões. No mesmo dia, o SCU Torreense perdeu por 2-1 com a Juventus e ficou pelo caminho.

Os golos do Sporting foram marcados por Ana Dias aos 20 minutos, Florencia Bonsegundo aos 40 e aos 45+2, Jeneva Hernandez-Gray aos 77 e Telma Encarnação aos 90. O resultado dá vantagem clara na diferença de golos, mas não decide nada: o mini-torneio resolve-se num encontro único de final, no sábado, 8 de agosto, às 17:00, frente ao vencedor do outro encontro, entre o St. Pölten e o Young Boys. Está em jogo o acesso à terceira pré-eliminatória.

O formato que a prova adotou

A qualificação da principal prova europeia feminina abandonou as eliminatórias a duas mãos nas primeiras rondas e passou a usar mini-torneios de quatro equipas, disputados num único local entre 5 e 8 de agosto. Cada clube joga uma meia-final e, dependendo do resultado, uma final ou um encontro de apuramento do terceiro lugar. É um desenho que reduz deslocações e concentra a decisão em quatro dias, com o efeito colateral evidente de dar pouquíssima margem a quem começa mal.

Foi o que aconteceu ao Torreense. A equipa perdeu por 2-1 com a Juventus e, num quadro que incluía ainda o Hammarby, da Suécia, e o Apolonia, da Albânia, ficou sem hipótese de disputar o acesso à ronda seguinte. Para um clube que se estreava nesta prova, o encontro com uma equipa italiana de topo funcionou sobretudo como medida da distância a percorrer.

Um lugar inédito para o Benfica

O SL Benfica, campeão nacional, recebeu o acesso direto à fase de liga da Liga dos Campeões — pela primeira vez na história do clube. É o resultado do coeficiente acumulado por Portugal nas últimas épocas e da reforma do formato da prova, que passou a atribuir lugares diretos a mais campeonatos nacionais. Na prática, poupa ao clube um mês de qualificação em agosto e permite chegar a setembro com preparação normal.

Vale a pena olhar para o percurso interno que justificou esse lugar. Na época 2025/26, o Benfica sagrou-se campeão nacional pela sexta vez consecutiva, com o Sporting em segundo, a 35 pontos. A prova teve 10 equipas e 18 jornadas, entre 14 de setembro de 2025 e 10 de maio de 2026, e o Damaiense desceu de divisão. A maior vitória da época foi um 8-0 do Benfica sobre o Damaiense, a 27 de setembro de 2025, e as melhores marcadoras foram Carole Costa, do Benfica, e Malu Schmidt, do Braga, ambas com dez golos.

Na Taça de Portugal feminina, o Benfica venceu o FC Porto por 2-0 na final disputada no Jamor, com um bis de Caroline Møller aos 4 e aos 40 minutos. Foi o último troféu de uma época que o clube dominou de ponta a ponta.

O calendário interno de 2026/27

O escalão principal do futebol feminino mantém 10 equipas em 2026/27. A Supertaça está agendada para 5 ou 6 de setembro e o campeonato arranca no fim de semana de 12 e 13 de setembro, a par do segundo escalão. A Taça de Portugal começa com uma ronda preliminar a 13 de setembro e a primeira eliminatória a 4 de outubro.

Para o Sporting e para o Torreense, o verão europeu resolve-se antes disso. Para o Benfica, a fase de liga só arranca depois do sorteio, já em setembro. E para o campeonato nacional, o efeito prático desta divisão é conhecido: três clubes a competirem em ritmos diferentes durante o primeiro mês da época, com consequências óbvias no estado de forma das equipas nas primeiras jornadas.

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